Paraná vai ampliar para outros grupos vacinação contra gripe

Após o término oficial da campanha de vacinação contra a gripe, nesta sexta-feira (9), a Secretaria de Estado da Saúde orienta os municípios que intensifiquem a imunização dos grupos prioritários e estendam a oferta da vacina para públicos específicos.

Depois de garantir as doses necessárias para os grupos que ainda não atingiram a meta de 90%, a recomendação é estender a vacina para cobradores e motoristas de ônibus de transporte público, cuidadores de pessoas vulneráveis (como idosos e acamados) e população em situação de rua. A recomendação dos novos públicos foi decidida na reunião da Comissão Estadual de Infectologia, realizada pela Secretaria da Saúde nesta quinta-feira (8), em Curitiba.

“O Paraná atingiu até o momento 88% de cobertura vacinal. No entanto, temos municípios que estão muito abaixo dessa média, o que nos preocupa, principalmente em relação a crianças e gestantes, que apresentam maior risco de complicações pela gripe”, disse o diretor-geral da Secretaria, Sezifredo Paz. Segundo ele, os municípios que não atingiram a meta de vacinar 90% do público prioritário devem intensificar a busca ativa dessas pessoas.

ÍNDICES

Em algumas cidades, como Pontal do Paraná, por exemplo, o índice de crianças imunizadas não chegou a 50%. Em Foz do Iguaçu, somente 45,5% das crianças e 47% das gestantes receberam a vacina da gripe. Em Londrina, 59,8% crianças foram imunizadas e 57,5% gestantes. Na Região Metropolitana de Curitiba, Pinhais e Piraquara registram abaixo de 50% de cobertura vacinal para gestantes.
“É importante que os pais levem seus filhos para serem vacinados. Este é um público que depende da decisão dos adultos para garantir a proteção. Quanto às gestantes, chamamos a atenção para o risco de não tomar a vacina. Durante a pandemia da gripe, em 2009, tivemos muitas grávidas internadas em decorrência da doença e inclusive registramos mortes, o que devemos evitar”, ressalta a superintendente de Vigilância em Saúde, Júlia Cordellini.

A definição de quem tem direito à imunização pelo sistema público está baseada na epidemiologia da doença, ou seja, aqueles que historicamente têm apresentado complicações e até mortes por influenza. A vacina protege contra os vírus que mais circulam no país.

Para o médico infectologista do Hospital de Clínicas, Bernardo Montesanti Machado de Almeida, é essencial que os gestores municipais garantam a imunização dos grupos já definidos.

“Esses grupos são os mais vulneráveis aos vírus respiratórios, que têm maior taxa de mortalidade ou maior capacidade de disseminar a doença”, afirmou. Segundo ele, os idosos, por exemplo, são os mais propensos a complicações que podem levar à morte. “Quanto às crianças, são exemplos de grandes vetores da gripe, onde os vírus têm terreno fértil pra se disseminar entre uma criança e outra, além da possibilidade de agravamento, principalmente com as mais novas e bebês”, acrescentou.

SALDO

O saldo de vacinas disponíveis nas 22 Regionais de Saúde, no Centro de Medicamentos do Paraná, em Curitiba, e nos 399 municípios é de 372 mil doses. O montante total é suficiente para atender os novos públicos definidos.
Os gestores, no entanto, podem ampliar a oferta desde que garantam as doses para os grupos que ainda não atingiram as metas e o façam em pactuação com as regionais de Saúde e a Secretaria Estadual.

O promotor do Ministério Público do Paraná, Marco Antonio Teixeira, solicitou os dados de cobertura vacinal e as decisões da comissão para embasar a orientação aos demais promotores paranaenses.

“Há muitas cidades com índices de cobertura muito aquém da média do Paraná e é essencial que os gestores municipais tenham uma orientação clara da estratégia definida na política pública estadual”, disse o promotor

COMISSÃO

A comissão de infectologia tem reuniões mensais para discutir assuntos e estratégias para enfrentamento de doenças infecciosas no Estado. “Há cinco anos a Secretaria da Saúde mantém com a Comissão de Infectologia uma relação de confiança e apoio às decisões referentes às doenças infecciosas em circulação no Estado. É um trabalho conjunto que traz resultados positivos a todos”, disse Sezifredo Paz.
A comissão é composta pela Secretaria Estadual de Saúde, Associação Médica do Paraná, Sociedades Paranaenses de Infectologia, Pneumologia, Pediatria e Terapia Intensiva, Conselhos Regionais de Enfermagem, Farmácia e de Medicina, Conselho de Secretarias Municipais de Saúde, Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, Hospital de Clínicas, Hospital Pequeno Príncipe e Associação Paranaense de Controle de Infecção Hospitalar.

ORIENTAÇÕES

Os municípios devem pactuar com associações de motoristas e cobradores para organizar a imunização de seus cooperados. Para a população de rua, as secretarias municipais deverão estudar suas estratégias. Quanto aos cuidadores, é necessário que apresentem nas Unidades de Saúde declaração de médico ou familiar comprovando o exercício da profissão e o nome do paciente.

Fonte: Paraná Portal

Número de assaltos nos ônibus cai 22% no quadrimestre

O número de roubos e assaltos no transporte coletivo de Curitiba caiu 22% neste primeiro quadrimestre em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), responsável pelo sistema de transporte público da capital.

No levantamento são considerados os casos registrados por meio de Boletim de Ocorrência pelos funcionários das empresas de transporte coletivo que operam as linhas urbanas da capital.

De janeiro a abril de 2016 foram relatados 883 casos de assaltos no sistema de transporte. No mesmo período deste ano 685 foram registrados, uma média de 5,71 casos por dia.

A maior queda foi em abril, com 50%. “Para nós está claro que esse resultado é direto do trabalho da Patrulha do Transporte, lançada pela Defesa Social em fevereiro passado conforme determinação do prefeito Rafael Greca”, disse o presidente da Urbs, José Antonio Andreguetto.

A Urbs e a Guarda Municipal fazem um trabalho integrado. Para colaborar com as ações da Patrulha do Transporte, a Urbs faz o mapeamento dos pontos mais visados, os dias e horários com maior incidência de roubos e assaltos e repassa.

Neste período de funcionamento da Patrulha do Transporte Coletivo, a Guarda Municipal atendeu a 400 ocorrências e prendeu em flagrante 80% dos casos. “Aumentou a presença da Guarda Municipal nos ônibus para melhorar a segurança das pessoas e dos bens públicos e os resultados já começaram a aparecer” afirmou o secretário da Defesa Social, Algacir Mikalovski.

O trabalho da Patrulha do Transporte Coletivo vai desde abordagens, blitizes e guardas à paisana dentro dos ônibus. “Estamos trabalhando de forma preventiva, ostensiva e repressiva”, disse o diretor da Guarda Municipal, inspetor Odgar Nunes Cardoso.
O número de ocorrências atendidas pela Guarda Municipal no sistema de transporte aumentou em 5%, com abordagem muito mais rápida e eficiente, aumentando as prisões em flagrante de vandalismo e as invasões de “fura-catraca.”

Assalto

Nesta segunda-feira (22/5), a Guarda Municipal recebeu denúncia de assaltos na estação-tubo CIC Norte. Dois homens foram surpreendidos pela ação dos guardas. Os dois tentaram fugir e um deles foi preso no local. O segundo, menor, foi detido na sequência pela guarda com o apoio da Polícia Militar. Esta seria a terceira vez que a dupla roubaria o mesmo local. Ambos foram levados para o 11º DP.

A população pode colaborar com o trabalho fazendo denúncias pelo telefone 153 da Guarda Municipal.

Comparativo de roubos e assaltos no transporte coletivo de Curitiba

2016
Janeiro: 188
Fevereiro: 251
Março: 177
Abril: 267
Total: 883
Média/dia: 7,30

2017
Janeiro: 189
Fevereiro: 164
Março: 199
Abril: 133
Total: 685
Média/dia: 5,71

Fonte: URBS

Maio Amarelo alerta motoristas para riscos do celular ao volante

Mexer no aparelho ao dirigir pode aumentar em até 400% a chance de envolvimento em um acidente; motoristas ainda ignoram os perigos.

O risco de se envolver em um acidente quando o condutor está usando o celular pode aumentar até 400%, segundo uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Apesar disso – e de a infração por mexer no equipamento quando se está na direção ter passado de média para gravíssima no ano passado, com multa de R$ 293,47 –, milhares de motoristas ainda ignoram o perigo. Somente no Distrito Federal, o total de multas aplicadas por uso do celular ao volante cresceu 12% entre 2015 e 2016. No ano passado, 53.610 condutores foram autuados por essa infração. Isso representa uma média de quase 150 flagrantes por dia.

Conforme o psicólogo especialista em comportamento no trânsito, Fábio de Cristo, não há como o indivíduo manter a atenção no celular e na via ao mesmo tempo. “O nosso processamento da informação é limitado, nós não conseguimos dar conta de todas informações que estão ao nosso redor, razão pela qual concentramos nossa atenção naquilo que é importante numa dada circunstância”, esclarece. Por isso, desviar o olhar para atender uma chamada ou ler uma mensagem significa perder segundos de atenção. Mas, no trânsito, alguns segundos é muito tempo. Tempo em que vidas também podem ser perdidas.

Há quase um ano, no dia 22 de maio de 2016, o servidor público Antônio Eduardo Mendes morreu e a funcionária pública Tatiana Martins ficou ferida em um acidente em Brasília. A suspeita é de que a motorista que provocou a colisão usava o celular. A polícia pediu quebra do sigilo telefônico para confirmar. A condutora foi indiciada por homicídio culposo.

Antônio Eduardo e Tatiana pilotavam duas motocicletas Harley Davidson quando foram atingidos pelo veículo que vinha atrás. Tatiana conta que a colisão ocorreu no momento em que os dois reduziram a velocidade para passar em um quebra-molas. “Como você não vê duas motos grandes que estão na sua frente? Nós dois estávamos com roupas refletivas, equipamentos de proteção e ela não vê nada?”, questiona.

A experiência e a perda deixaram um trauma que, aos poucos, vem sendo superado. Mas perceber que muitos motoristas insistem em mexer no celular enquanto dirigem revolta Tatiana. “Foi uma coisa muito dura. E ver alguém usando celular no trânsito me causa muita tristeza e muita raiva. Logo que o acidente aconteceu, eu ficava tão indignada que até chamava atenção das pessoas. Mas elas não aceitam, acham que é só um segundinho e que não vai interferir. Mas interfere. Porque um segundo de distração no trânsito é um segundo que pode acontecer muita coisa”, diz ela.

Nonita Leite, servidora aposentada, amiga dos dois, destaca que a desatenção de um condutor ao celular tende a vitimar as peças mais frágeis no trânsito: pedestres, ciclistas e motociclistas. Para ela, a sensação de impunidade agrava o problema. “A gente precisa de ações mais contundentes, uma forma de fiscalizar mais intensa e direcionada. Por exemplo, a campanha para não beber e dirigir surtiu mais efeito por causa da fiscalização. Mas teclar ou falar ao celular e dirigir, a gente vê muito por aí. É uma epidemia”, ressalta.

“Presta atenção no trânsito”

Atender ou não atender o celular é uma questão de escolha individual do motorista. No dia a dia, pode parecer algo pequeno. “É rapidinho”. “É urgente”. Será mesmo? É importante ter em mente que essa é uma decisão que implica riscos altos.

“Eu queria que as pessoas tomassem consciência de que usar o celular ao volante é uma coisa extremamente perigosa, seja para falar, seja para teclar, seja para qualquer coisa. Pegou no volante, presta atenção no trânsito.” Esse é o apelo de Tatiana Martins. Também é o principal alerta da campanha do Maio Amarelo deste ano no Brasil.

Maio Amarelo é um movimento mundial que busca unir esforços do poder público e da sociedade civil para chamar a atenção de todos ao alto índice de acidentes de trânsito.  O SEST SENAT, engajado na mobilização, realizará uma série de ações nas 145 Unidades Operacionais presentes em todos os estados do Brasil, com o tema “Maio Amarelo, por um trânsito mais seguro”.

Fonte: Agência CNT de Notícias

CNT divulga pesquisa inédita sobre o perfil dos motoristas de ônibus urbanos no Brasil

Foram entrevistados 1.055 motoristas em 12 Unidades da Federação de todas as regiões do país, entre os dias 6 e 19 de dezembro de 2016.

A Confederação Nacional do Transporte divulgou hoje (21/3/2017) a primeira Pesquisa CNT Perfil dos Motoristas de Ônibus Urbanos, com informações gerais sobre o profissional e a atividade. Na amostragem, foram entrevistados 1.055 motoristas em 12 Unidades da Federação de todas as regiões do país, entre os dias 6 e 19 de dezembro de 2016.

Os motoristas responderam a questões sobre rotina de trabalho, tecnologia, segurança, saúde, entre outros temas. As entrevistas foram feitas nas garagens das empresas e em terminais rodoviários e constatam que a maioria dos motoristas (77,5%) dirige veículos com algum sistema de rastreamento com GPS (67,8%) para orientação; roda, em média, 151,9 km por dia; trabalha 8,3 horas diariamente e 5,9 dias por semana. A média de idade dos veículos é de 5,3 anos.

Um quarto dos entrevistados (24,5%) está há mais de dez anos na mesma empresa e 75,5% dizem que estão satisfeitos e não têm vontade de trocar de emprego. Ao falarem por que atuam na atividade, 70,6% afirmam que gostam de dirigir ônibus urbanos e 33,0% dizem que essa profissão oferece um salário melhor do que outras.

A maioria dos entrevistados (70%) possuía outra profissão anteriormente e acredita que a situação financeira melhorou ao começar a trabalhar como motorista profissional. O tempo médio em que os entrevistados estão nessa área é de 12,1 anos, sendo que 68,7% atuam no segmento há mais de cinco anos.

Entraves
Entre os pontos negativos, 57% destacaram que a profissão é desgastante, estressante ou fisicamente cansativa. Outros 35,9% consideram uma profissão perigosa e 19,8%, arriscada, devido à possibilidade de acidentes. Em relação à segurança, quase um terço (28,7%) diz ter sido vítima de assalto pelo menos uma vez nos últimos dois anos e 3,1% informaram que neste mesmo período o ônibus em que trabalhavam sofreu incêndio proposital ou alguma tentativa. Um terço (33,2%) se envolveu em pelo menos um acidente nos últimos dois anos.

Infraestrutura e reivindicações
As condições da infraestrutura também são dificuldades enfrentadas no dia a dia dos motoristas. O pavimento das ruas e avenidas foi considerado regular, ruim ou péssimo para 77,6% dos entrevistados. Já em relação à fluidez do tráfego, 81,8% relataram que há problemas. As principais reivindicações dos motoristas de ônibus urbanos dizem respeito a segurança policial (61,7%), necessidade de pontos de apoio ao motorista com mais conforto e estrutura (33,7%), vias especiais exclusivas para ônibus (29,4%) e redução dos custos de aquisição da carteira de motorista (24,5%).

Sobre o SEST SENAT
Do total de entrevistados, 89,1% conhecem o SEST SENAT. Desses, 71,1% já fizeram algum curso presencial na instituição e 97,2% consideram que os treinamentos contribuíram para a melhoria do seu desempenho profissional.

Entre os motoristas de ônibus que já foram atendidos nas especialidades de odontologia, fisioterapia, psicologia ou nutrição, 91,1% avaliam que os serviços contribuem para a manutenção da sua saúde e da sua qualidade de vida. Entre os motoristas que já fizeram alguma consulta, 42,7% disseram que procuram o SEST SENAT para prevenção e 25,0% quando sentem alguma dor.

A maioria (86,7%) dos entrevistados que conhecem o SEST SENAT disse que indicaria os serviços da entidade para algum conhecido.

Conclusão
A Pesquisa CNT Perfil dos Motoristas de Ônibus Urbanos revela aspectos relevantes dessa profissão, como o uso de ferramentas tecnológicas, as motivações para atuar no setor e os principais entraves. O presidente da CNT, Clésio Andrade, destaca que grande parte dos trabalhadores orgulha-se da profissão, mas ainda enfrenta uma série de desafios.

“Cerca de um terço já sofreu algum assalto nos últimos dois anos. Além disso, os motoristas cumprem, diariamente, rotinas de trabalho desgastantes, causadas pelos constantes congestionamentos. Fica clara, então, a necessidade de investimentos em segurança pública, em infraestrutura viária e em pontos de apoio para acolher esses profissionais”, afirma Clésio Andrade.

O presidente da CNT ressalta também que a pesquisa mostra a forte atuação do SEST SENAT na defesa do trabalhador do transporte. “Os motoristas de ônibus urbanos reconhecem que os atendimentos são fundamentais para melhorar o seu desempenho profissional e a sua qualidade de vida. Esse indicativo nos estimula a continuar aprimorando os serviços prestados pelo SEST SENAT.”

GLÓRIA RECEBE SELO OURO DO DESPOLUIR

O objetivo do Despoluir é a melhoria da qualidade do ar e o uso racional de combustível de veículos movidos a diesel

O técnico do Despoluir, Ademir Saragossa, entrega o certificado à Alexandre Buer, do setor de Programa de Controle de Manutenção (PCM). À esquerda José Franco Gonçalves e, à direita, Jean Casemiro Stefankowski, ambos supervisores de Manutenção

Pelo nono ano consecutivo, a Transporte Coletivo Glória, de Curitiba, recebeu o certificado de aprovação no controle de emissão de poluentes concedido pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Por meio do Programa Ambiental do Transporte (Despoluir), a empresa foi contemplada com o selo Ouro, o melhor dentre os três níveis de certificação.

O objetivo do Despoluir é a melhoria da qualidade do ar e o uso racional de combustível de veículos movidos a diesel. São aprovados na avaliação somente veículos com o motor regulado conforme os parâmetros exigidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).

Para aferição dos 420 ônibus da empresa, a CNT utilizou o opacímetro, equipamento que mede a quantidade de fumaça preta emitida pelos veículos. O aparelho é ligado diretamente no escapamento e, na sequência, com o veículo parado, o técnico promove a máxima aceleração do veículo.

Ao longo de 2016, 100% da frota foi submetida à avaliação. “Como houve a união de duas empresas no ano passado e começamos a trabalhar com três unidades operacionais, o grande desafio da nossa equipe foi organizar o cronograma para que nenhum ônibus ficasse fora da medição”, diz o gerente de Manutenção da TCG, Sérgio Tarcisio Pereira.

Mulheres assumem volante dos ônibus e conquistam espaços por merecimento

Vânia Custel é motorista de biarticulado na empresa Transporte Coletivo Glória  Foto: Joel Rocha/SMCS

 Quando entrar no biarticulado Santa Cândida/Capão Raso preste atenção. Quem dirige um dos ônibus desta linha é a motorista Vânia Custel. Ela é uma das 60 mulheres que atualmente dirigem ônibus do transporte coletivo de Curitiba.

Os números ainda são tímidos frente aos mais de quatro mil motoristas contratados pelas empresas operadoras do transporte público em Curitiba, porém indicam a quebra de paradigma dentro de um universo profissional predominantemente masculino.

“Na década passada era uma raridade encontrar mulheres dirigindo ônibus coletivo, ainda mais Expressos (biarticulados). Hoje, as barreiras estão caindo e é um caminho sem volta, pois elas estão conquistando espaço por merecimento, competência e por trabalhar de igual para igual”, disse Amilton Daemme, gestor de Fiscalização de Transporte da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs).

No transporte da capital, as mulheres dirigem também ônibus de linhas alimentadoras, convencionais, Interbairros e Linha Turismo. Somando as linhas da região metropolitanas, são 81 mulheres na direção, segundo levantamento do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana. Oito das dez empresas do sistema de transporte metropolitano de Curitiba têm mulheres no quadro de motoristas.

A maioria dessas profissionais começou dentro das empresas em outras funções, como cobradoras, auxiliares de serviços gerais e foram mostrando interesse de se capacitar para assumirem o volante. Foi o caso de Lurdes de Melo, que há dois anos dirige em duas linhas: Campina do Siqueira/Batel e Campo Comprido/Capão Raso.

Lurdes começou na empresa Araucária Transporte como atendente do Transporte do Ensino Especial e quis mais. Fez o curso na Escola de Formação oferecido pela empresa e correu atrás dos requisitos necessários para assumir o volante. E pensa grande. “O próximo passo agora é tirar a carteira para dirigir biarticulado”, fala Lurdes.

Além de receber salário e benefícios iguais aos demais colegas, Lurdes nunca sofreu preconceito, nem por parte dos passageiros nem dos colegas de profissão. “No máximo um passageiro que olha mais curioso pela surpresa de ver uma mulher no volante do ônibus. Ainda não é uma coisa muito comum”.

Outro destaque dentro da empresa é Ivone Dal Farra. ex-diarista, hoje ela é uma das responsáveis pela manutenção e conserto da lataria, pintura, pneus, vidros, teto e piso dos ônibus. “Faço o que gosto e me dedico com gosto, mas meu objetivo é ser motorista e estou correndo atrás”, diz.

No volante do biarticulado

Para dirigir biarticulado é preciso ter carteira de motorista categoria E. Vânia Custel já tinha a habilitação quando foi contratada pela empresa Glória, há dois anos e meio. Ela é uma das poucas contratadas diretamente como motorista. “Essa sempre foi minha profissão, o primeiro registro na carteira de trabalho foi de motorista e hoje dirijo um dos maiores ônibus do mundo. É um orgulho muito grande”, diz Vânia.

O ônibus que Vânia conduz quase todos os dias tem 28 metros de comprimento. Ao contrário da colega da empresa Araucária, ela percebe o preconceito de alguns passageiros. “No começo era muito mais, agora já nem tanto, mas por incrível que pareça, no meu caso, são as mulheres que demonstram mais preconceito quando reparam que outra mulher está no volante do ônibus”.

Para Márcio José dos Santos, instrutor de motoristas da empresa Glória, a tendência é ter cada vez mais mulheres motoristas. “As empresas estão percebendo que elas são mais cuidadosas e o trabalho delas é muito elogiado pelos passageiros. Assim como aconteceu com as cobradoras, a tendência é aumentar o número de contratação de mulheres motoristas”, disse Márcio.

Fonte: PMC

ATENDIMENTO PERSONALIZADO AO MOTORISTA MELHORA SERVIÇO AO USUÁRIO DO ÔNIBUS

A medida resultou no impacto direto e positivo nas linhas do transporte coletivo operadas pela Glória, empresa com a maior frota de ônibus da capital paranaense

Para promover maior aproximação entre os operadores (que cumprem jornada externa) e as lideranças internas da empresa, em 2016, a empresa Transporte Coletivo Glória implantou o setor de Atendimento a Motoristas e Cobradores.

A medida resultou no impacto direto e positivo nas linhas do transporte coletivo operadas pela Glória, empresa com a maior frota de ônibus da capital paranaense. O acompanhamento sistemático interno dos indicadores de qualidade apontam avanços na condução dos ônibus, na diminuição de acidentes e na garantia de conforto e segurança aos usuários.

No novo setor, três colaboradores com experiência no dia a dia da operação (estações-tubo, terminais, paradas e itinerários) estão disponíveis para o diálogo olho no olho, de maneira personalizada e didática. “A disponibilidade desta equipe para ouvir e se fazer ouvir melhorou a resolução de questões vinculadas à rotina de motoristas e cobradores”, diz o gerente operacional Alexander Marques.

A conversa individual permite dedicar mais tempo aos operadores quando comparada às reuniões, que foram mantidas para casos de instruções gerais. “Conseguimos explicar, por exemplo, qual o impacto de reclamações e autos de infração na receita da empresa”, diz o supervisor do setor, Geraldo Sandeski. Em 2016, mais de mil motoristas e cobradores foram orientados desta maneira.

Motoristas

Em 2016, o treinamento de motoristas também fez a diferença para os usuários dos ônibus da Glória. A média de erros computados pelos critérios da telemetria chegou a 2,25% quando o tolerável seria 2,62%. Esse sistema acompanha em tempo real a forma de dirigir de todos os motoristas, considerando: freada brusca, alto e baixo giro do motor, veículo ocioso, curva perigosa, velocidade e movimentação do veículo com porta aberta.

“Nossos motoristas dirigem bem e perceberam, por meio do treinamento, que podem dirigir ainda melhor”, destaca o gerente Alexander Marques. No ano passado, os motoristas da Glória receberam 5.422 horas de acompanhamento em campo. Os seis instrutores qualificados especialmente para essa função contabilizaram 3.386 instruções.

A orientação prática e individual, baseada na categoria do veículo e na característica da linha, resultou na queda de acidentes, principalmente os mais graves – ou seja, na canaleta ou com vítimas. Cerca de 90% dos acidentes registrados em 2016 foram considerados inocentes – ou seja, o motorista não conseguiria evitá-los mesmo aplicando a direção defensiva.

Financiar o transporte público no Brasil

Precisamos atender à necessidade da população de exercer seu direito constitucional de ir e vir com dignidade

Enquanto o usuário for o único responsável por pagar o custo do transporte público, haverá sempre o dilema do valor da tarifa se mostrar elevado na visão do passageiro – até pela limitação da qualidade – e, ao mesmo tempo, insuficiente para cobrir os custos das empresas. Eis o dilema: como baixar o preço das passagens se somente a tarifa banca esse serviço? E como melhorar a qualidade sem aumentar o custo ao usuário?

Esse modelo onera intensamente os passageiros que não contam com algum tipo de subsídio, tornando a tarifa muito elevada, e, por outro lado, impede que sejam feitos investimentos mais significativos na qualificação.

A Lei de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/12) oferece a possibilidade de separação entre o que o usuário deve pagar e o valor da remuneração do operador do transporte. Dessa forma, as autoridades podem optar pela subvenção, cobrindo a diferença entre o custo do serviço e uma tarifa que não sacrifique a maior parte dos passageiros. Muitas cidades europeias subvencionam o transporte público, permitindo que os usuários paguem menos de 50% dos custos do transporte.

No Brasil, nos poucos locais onde existe, a subvenção está invariavelmente atrelada ao orçamento federal, estadual ou municipal. Muitos países adotam modelos diferenciados, combinando recursos públicos com outras fontes. É nesse ponto que o país precisa avançar.

Uma das alternativas para a subvenção está em fontes estabelecidas por políticas sociais referentes a beneficiários de gratuidades no transporte público. Existem diversos fundos de recursos para atender às necessidades de idosos, de estudantes e de pessoas com deficiência, que também poderiam ser utilizados para cobrir os custos dos benefícios tarifários, que hoje oneram em 17% a composição da tarifa.

Vem de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília o exemplo mais recente sobre a fragilidade e ineficiência do sistema de subsídio amparado por orçamentos públicos. Todas essas capitais estão em débito com as empresas, porque diante da crise não conseguem repassar as verbas do orçamento para complementar o custeio das passagens.

Por isso, a Frente Nacional de Prefeitos, em sintonia com as experiências estrangeiras, defende a taxação sobre combustíveis usados nos automóveis particulares. Neste caso, um percentual aplicado ao valor da gasolina, do álcool e do gás natural veicular seria destinado diretamente ao custeio do transporte público.

A resposta ao dilema é que precisamos atender à necessidade legítima da população de exercer seu direito constitucional de ir e vir com dignidade, segurança e eficiência, mas temos que estar dispostos a pagar por isso, mesmo com todo o contingenciamento de recursos públicos. Qualquer que seja a solução escolhida, não se pode discutir qualidade e acesso sem se falar de recursos.

Artigo de  Otávio Vieira da Cunha Filho, presidente executivo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) e bacharel em administração e ciências contábeis

Publicado no jornal O Estado de Minas – MG, em 31/01/17

Velhos, ônibus de Curitiba quebraram 21% mais em 2016

Nos últimos dois anos, os veículos que estão com a vida útil vencida foram para a oficina, em média, 45% mais que os regulares

Pela estatística, cada vez que uma pessoa entra em um ônibus do transporte coletivo de Curitiba, ela tem 25% de chance de subir em um dos 404 veículos com vida útil vencida que ainda circulam pela cidade.

Pelo contrato de concessão, esses ônibus com mais de dez anos não poderiam estar circulando, mas uma liminar obtida em 2013 pelas empresas que operam o sistema as desobriga de renovar a frota. Uma das consequências desse envelhecimento é a quebra cada vez mais frequente dos veículos.

Entre 2015 e 2016, a quantidade Registros de Ocorrências emitidos pela URBS por problemas mecânicos nos ônibus subiu 2 l%e chegou ao total de 7.460 casos durante o ano; 2.018 registrados em veículos que já ultrapassaram o limite de dez anos.

Riscos aos passageiros

O aumento no número de falhas mecânicas levanta questionamentos acerca da segurança do sistema. Entre janeiro e novembro de 2016, foram registados 738 problemas envolvendo freios, direção ou pneus.

Segundo o diretor de transportes da Urbs, Antônio Carlos Araújo, o órgão tem feito acompanhamento mais rigoroso para garantir a segurança nos veículos vencidos.

“Estamos fazendo a vistoria da frota vencida a cada 90 dias, quando o normal seria fazerem seis meses. Fazemos isso para amenizar o impacto e avaliar melhor a condição dos ônibus”, explica.

Para coibir as falhas nos veículos, a Urbs também aplica multas às empresas pelas quebras e em decorrência da quantidade de reclamações recebidas dos passageiros, critérios que integram os indicadores de qualidade da prestação de serviços.

O transtorno para os usuários, entretanto, não está restrito aos casos de quebra, quando todos os passageiros precisam descer para trocar de veículo. Até quando o ônibus chega ao seu destino, os passageiros precisam conviver com o desconforto. Segundo Gelson Forlin, diretor executivo da viação Glória – uma das que opera o transporte na capital -, os ônibus com a vida útil vencida são mais barulhentos e demoram mais para fazer as viagens.

Prejuízo às empresas

Na análise de Forlin, o envelhecimento da frota também é prejudicial para as empresas operadoras do transporte coletivo.

“Hoje, os veículos vencidos representam cerca de 10% da minha frota, mas respondem por 50% dos trabalhos e problemas mecânicos que tenho. São carros que quebram muito mais “, diz.

Ainda segundo análise das empresas, os custos gerados pelo envelhecimento da frota agravam ainda mais os problemas financeiros do sistema.

“O problema é que veículos com a vida ú t il vencida dão mais custos de manutenção, desequilibrando ainda mais o sistema, em um círculo vicioso difícil de ser rompido”, disse, em nota, o Sindicato das empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp).

Idade média – Além da vida útil máxima de 10 anos para cada ônibus, o contrato de concessão também estabelece que as empresas têm de manter uma frota com idade média de cinco anos. Hoje essa média já é de sete anos.

Política – Relação entre empresas e prefeitura está mais amistosa na gestão Greca

Com a mudança de comando na prefeitura de Curitiba, a relação entre Poder Executivo municipal e as empresas concessionárias parece estar mais amistosa que na gestão de Gustavo Fruet.

“Em primeiro lugar vem a conversa. O poder público tem que conversar com o empresário, que é o dono do ônibus e tem seus funcionários. Nós somos planejadores do sistema, mas quem opera são os empresários. Então vai ter que ter muita conversa para que volte à normalidade do sistema”, disse o diretor de transportes da Urbs, Antônio Carlos Araújo.

Curitiba está desde 2013 sem receber ônibus novos no transporte coletivo porque a Urbs e as empresas que operam o sistema têm divergências sobre o cálculo de remuneração dos serviços. Sem acordo, as empresas recorreram à Justiça, que as desobrigou de comprar novos ônibus até que a questão fosse resolvida.

“A gente está tentando negociar um acordo já faz alguns anos. Na gestão anterior não conseguimos e temos esperança que nessa gestão a gente consiga. Nossa esperança é que agora a Urbs veja os erros cometidos em quatro anos, porque, se continuar na mesma toada, não sei por quanto tempo ainda teremos transporte em Curitiba”, afirma Gelson Forlin, da Viação Glória.

Publicado na Gazeta do Povo, em 23/01/17

Setor de transporte aposta na melhora da economia em 2017

Em 2016, a economia brasileira sofreu retração na maioria dos segmentos do País, principalmente o da indústria e o de serviços. Um levantamento feito pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que o cenário também não foi dos melhores para o setor de transportes.

A Sondagem Expectativas Econômicas do Transportador 2016 foi estabelecida pela CNT em cima da percepção de 795 empresas brasileiras transportadoras de cargas e passageiros e mostrou que mais da metade (60%) delas sofreram diminuição da receita em 2016 e 58,8% precisaram reduzir o número de viagens.

“A restrição do acesso ao crédito para a compra de novos veículos e o aumento do custo operacional foram as principais dificuldades encontradas pelas empresas em 2016, além, é claro da crise econômica e política que afetou não só o setor de transportes, mas o Brasil todo”, relata Roberto Teixeira, diretor executivo da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros dos Estados do Paraná e de Santa Catarina, a Fepasc.

De acordo com a pesquisa, o aumento do custo operacional afetou 74,6% dos entrevistados. Além disso, 63,7% das empresas não adquiriram veículos novos em 2016 e 44,6% não pretendem adquiri-los em 2017. A crise política também apareceu no levantamento, já que para 90,7% dos empresários esse foi um fator negativo nos resultados econômicos do setor.

“Acreditamos que 2017 ainda será um ano complicado, mas temos a perspectiva de que pode ser economicamente melhor que 2016. O quadro de funcionários previsto para 2017 foi reduzido por grande parte das empresas, e o número de novas contratações não seguirá o aumento desejado, mas acreditamos que em 2018 o crescimento retorne aos padrões normais”, explica o diretor executivo da Fepasc.

A pesquisa da CNT ressalta que a recuperação do emprego é mais lenta que a da receita em todos os setores da economia após uma crise como a atual. Só o setor de transportes demitiu 52.444 trabalhadores de dezembro de 2015 a setembro de 2016. O quadro de funcionários previsto para 2017 foi reduzido por 58,1% das empresas e apenas 30% deve contratar novos funcionários.

Apesar de 53% dos empresários manifestarem aumento da confiança na gestão econômica atual, praticamente metade (49,3%) deles acredita que a retomada do crescimento da economia só será percebida em 2018.

Publicado no site da Fepasc